- Ah, fui sair, aqui acaba sendo o último refugio mesmo... Fui ver um balé.
- Ficou tudo muito silêncioso de repente. Gosta tanto assim de apreciar a arte?
- Gosto. Acho que a arte transcende o que o autor quer dizer, a sua expressão... Acho que a arte é livre, me silêncio para tentar entende-la por completo.
- Silêncio... Tá vendo ? E você que disse que não conseguia escutar o silêncio. Está começando a voar só. Não me deixe ainda, certo?
- Certo... Você foi mãe?
- Sim.
- Feliz dia das mães!
- Obrigada. Depois quero falar-te sobre mães... Mas ainda não é o momento.
- Gosto do seu sorriso. Seu riso é natural, parece que nem sentes quando saí. Quando via fotos sua era sempre tão séria.
- Com o cigarro na mão e um rosto de avidez.
- É mesmo... emblemática e liberta...
- Oh, sabes como a liberdade me consome... não fale dela por enquanto.
- Mas não estamos a voar para uma liberdade?
- Não, não podemos coloca-la como um objetivo, um fim... é tão natural quanto meu riso, é o caminho que percorremos, quando vemos ela está disposta dentro de nós. Como um fluído que escorre e te consome, te liberta. Os medos, as coragens, os dias e as noites passam e ela se torna o caminho que nos faz seguir.
- Hum...
- Não a force, ela virá. A liberdade é a causa e a conseqüência ao mesmo tempo, é cada fibra que temos dentro do coração e por mais que queiramos pegá-las podem ser mortais pois irá fazer seu coração parar. Apesar disso, podemos senti-lo bater... Mas tenha sempre ânsia por ela, pois é perigoso deixá-la passar sem sequer entender de onde vem. É também mortal, se o coração parar.
- Perigoso?
- Sim. Quero uma valsa.
- Por que ?
- Ora! Vou-me então!
- Clarice? Você tá aí? Clarice?
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