Escute só, acho que as pessoas precisam ler o Pequeno Príncipe
e pensar sobre ser responsável pelo que cativa.
Ah sei que isso transparece minha falta de atenção, como sou
mimada. Nasci assim sem beira, até mesmo sem rumo ou prumo.
Cadê você que me
escuta tão calado? Cadê você que eu escuto com tanta paixão só para tentar
descobrir todo o brilho da sua alma?
Olha, queria cantar o Eu te amo baixinho e aquietar minha
voz. Mas nem sei cantar.
Deixa que eu me lembre do futuro sem segurar em uma bolsa
vermelha no centro fedido da cidade. Eu ria no centro, ainda está lá. Estamos
quietos, corremos, depois nos olhamos nos olhos para saber o preço astronáutico
do seu ingresso, meus cabelos que já tão ouriçados ficaram perturbados. Se
jogaram no chão e dormiram por lá. Eu nem queria. Você sabe que eles têm uma
vontade só deles, dessa que não tem nada a ver com as nossas vontades.
Escute, fique quieto e saiba da fusão das moléculas dos
gases mais perturbados por seus sonhos. Saiba que a sabedoria dos gases é a
mesma que rege os relacionamentos humanos, se você coloca-los juntos em um
mesmo ambiente irão exercer pressão um no outro, brigarão pela energia que os
fazem em movimento continuo. Leia a
frase... Não! Leia o paragrafo. Não... não leia nada, só me escute pedindo mais
atenção e aconchego: Você é responsável,
INTRASFERIVELMENTE, responsável pelo oque cativa.
Ah faça um esforço, grite um pouco mais. Vamos! Grite!
Libere toda a energia de convencimento que me convence que é sentimento e não
só carne. Não me olhe com esses olhos,
saiba que falo apenas o que penso e por pensar muito deixo de falar tudo por
falta de tempo.
Agora vou calar.
Nunca mais digo uma só palavra, nunca mais pronuncio essa
frase sobre o pensador e o destino. Que morram todos, vamos morrer! Precisamos
de flores, caixões e sepulturas, rápido, rápido... Antes que todos morram e não
sobre quem para carregar todas essas coisas.
Agora todos se deitam dentro dos seus caixões, fechem os
olhos e mentalizem seus coração de pedra, detrito, fumaça e carvão transformando-se
no nada através dos sentimentos. Ora, gritem! Não sentem a dor?
Você! Não deite-se. Sou rancorosa como qualquer escorpião e
acredito que quero seus seis corações em um ensopado cheio de molho vermelho.
Cale-se, mas fale nos meus ouvidos sobre a vida não ser assim tão complicada.
Vamos! Agora o jantar já tá quase pronto. A mesa está posta e todos estão se esforçando
para fazer a transformação do século, quando levantarem serão melhores. E nós, tenha certeza, que seremos sempre quem
somos, mas com todas as mudanças que o mundo traz.
Bota rápido sua cabeça na minha barriga. Ei, rápido, corre
que os barulhos do mundo estão se desfazendo. Depois escorregue e sinta meu
prazer em sua boca.
Rápido! Estou com muita fome de você, de mim. Estou tirando
meus corações também, colocarei cada um devagar para complementar nosso prato.
Estamos dentro, vendo fora.
Meu corpo passa longe do seu, não venha. Se afaste agora, sentarei
do outro lado da mesa para que você não me cative, para que eu não te cative.
Seremos só esta refeição nutritiva. Saiba usar o vinho a seu favor, pois ele me
faz esquecer. Posso te jurar amor, mas não te amarei, por que você não cuida do
que cativa e isso é terrível. Nem percebe como agonizo com todos eles transformando
seus corações e eu aqui a olhar para os nossos postos a mesa, prontos para
serem deflagrados pelos anjos mortos.
Não quero mais comer.
Quero só ouvir o não bater de pedra dos corações, dos cérebros
menos mármore. Eles estão transmutando e sei que no final vão levantar com suas
flores póstumas e se amarão com muita velocidade em um movimento erótico que só
nos poderemos ver, pois não temos mais corações e não podemos participar.
Vamos nos matar, rápido! Antes tragam os cães para devorarem
nossos corações.
Ah não faz sentido! A
morte acaba com as possibilidade do ser ou não ser.
Não seremos, seremos mortos e reavivaremos por nossas
esperanças espirituais de jovens tontos. Pronto! Você me mata e eu te mato.
Certo? Não, não responda. Cala-se. Beija-me tão rápido quando puder.
Matar-te-ei pela garganta e você fará o mesmo a mim. Jurar-te-ei
amor eterno e não mais acordarei.
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