terça-feira, 1 de maio de 2012

Cativa-me


Escute só, acho que as pessoas precisam ler o Pequeno Príncipe e pensar sobre ser responsável pelo que cativa.
Ah sei que isso transparece minha falta de atenção, como sou mimada. Nasci assim sem beira, até mesmo sem rumo ou prumo.
 Cadê você que me escuta tão calado? Cadê você que eu escuto com tanta paixão só para tentar descobrir todo o brilho da sua alma?
Olha, queria cantar o Eu te amo baixinho e aquietar minha voz. Mas nem sei cantar.
Deixa que eu me lembre do futuro sem segurar em uma bolsa vermelha no centro fedido da cidade. Eu ria no centro, ainda está lá. Estamos quietos, corremos, depois nos olhamos nos olhos para saber o preço astronáutico do seu ingresso, meus cabelos que já tão ouriçados ficaram perturbados. Se jogaram no chão e dormiram por lá. Eu nem queria. Você sabe que eles têm uma vontade só deles, dessa que não tem nada a ver com as nossas vontades.
Escute, fique quieto e saiba da fusão das moléculas dos gases mais perturbados por seus sonhos. Saiba que a sabedoria dos gases é a mesma que rege os relacionamentos humanos, se você coloca-los juntos em um mesmo ambiente irão exercer pressão um no outro, brigarão pela energia que os fazem em movimento continuo.  Leia a frase... Não! Leia o paragrafo. Não... não leia nada, só me escute pedindo mais atenção e aconchego:  Você é responsável, INTRASFERIVELMENTE, responsável pelo oque cativa.
Ah faça um esforço, grite um pouco mais. Vamos! Grite! Libere toda a energia de convencimento que me convence que é sentimento e não só carne.  Não me olhe com esses olhos, saiba que falo apenas o que penso e por pensar muito deixo de falar tudo por falta de tempo.
Agora vou calar.



Nunca mais digo uma só palavra, nunca mais pronuncio essa frase sobre o pensador e o destino. Que morram todos, vamos morrer! Precisamos de flores, caixões e sepulturas, rápido, rápido... Antes que todos morram e não sobre quem para carregar todas essas coisas.
Agora todos se deitam dentro dos seus caixões, fechem os olhos e mentalizem seus coração de pedra, detrito, fumaça e carvão transformando-se no nada através dos sentimentos. Ora, gritem! Não sentem a dor?
Você! Não deite-se. Sou rancorosa como qualquer escorpião e acredito que quero seus seis corações em um ensopado cheio de molho vermelho. Cale-se, mas fale nos meus ouvidos sobre a vida não ser assim tão complicada.
Vamos! Agora o jantar já tá quase pronto.   A mesa está posta e todos estão se esforçando para fazer a transformação do século, quando levantarem serão melhores.  E nós, tenha certeza, que seremos sempre quem somos, mas com todas as mudanças que o mundo traz.
Bota rápido sua cabeça na minha barriga. Ei, rápido, corre que os barulhos do mundo estão se desfazendo. Depois escorregue e sinta meu prazer em sua boca.
Rápido! Estou com muita fome de você, de mim. Estou tirando meus corações também, colocarei cada um devagar para complementar nosso prato. Estamos dentro, vendo fora.
Meu corpo passa longe do seu, não venha. Se afaste agora, sentarei do outro lado da mesa para que você não me cative, para que eu não te cative. Seremos só esta refeição nutritiva. Saiba usar o vinho a seu favor, pois ele me faz esquecer. Posso te jurar amor, mas não te amarei, por que você não cuida do que cativa e isso é terrível. Nem percebe como agonizo com todos eles transformando seus corações e eu aqui a olhar para os nossos postos a mesa, prontos para serem deflagrados pelos anjos mortos.
Não quero mais comer.
Quero só ouvir o não bater de pedra dos corações, dos cérebros menos mármore. Eles estão transmutando e sei que no final vão levantar com suas flores póstumas e se amarão com muita velocidade em um movimento erótico que só nos poderemos ver, pois não temos mais corações e não podemos participar.
Vamos nos matar, rápido! Antes tragam os cães para devorarem nossos corações.
 Ah não faz sentido! A morte acaba com as possibilidade do ser ou não ser.
Não seremos, seremos mortos e reavivaremos por nossas esperanças espirituais de jovens tontos. Pronto! Você me mata e eu te mato. Certo? Não, não responda. Cala-se. Beija-me tão rápido quando puder.
Matar-te-ei pela garganta e você fará o mesmo a mim. Jurar-te-ei amor eterno e não mais acordarei. 

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